Trump anuncia um acordo comercial “justo” com o Canadá e promete reduzir pela metade as tarifas sobre o aço e o alumínio.

Horas antes de uma tarifa de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses entrar em vigor, Donald Trump anunciou, em 19 de agosto, que os Estados Unidos e o Canadá haviam chegado a um acordo comercial “muito justo” e suspendeu as tarifas por três dias para finalizar a documentação. O Canadá tem até este sábado, 22 de agosto, para finalizar o acordo, ou poderá enfrentar novamente a tarifa de 50%, portanto, quando você ler isto, o resultado poderá já ser conhecido.
O que exatamente mudaria com as tarifas?
Segundo reportagens da Bloomberg e de outros veículos de comunicação focados em comércio, a tarifa sobre o aço e o alumínio canadenses cairia de 50% para 25%, e a tarifa sobre carros com conteúdo americano insuficiente cairia de 25% para 15%. Trump declarou: “Estamos analisando isso. Poderíamos reduzir algumas das tarifas para um nível semelhante ao de outros países.” Ele também prometeu que “as tarifas serão inexistentes para os agricultores”, uma declaração que atinge diretamente um dos setores que empregam uma parcela significativa da força de trabalho latina no Canadá.
O acordo está finalizado ou ainda pode mudar?
Ainda não é um acordo fechado. Um funcionário da Casa Branca foi claro com os repórteres: “Qualquer informação sobre os detalhes deste possível acordo deve ser considerada especulação até que seja oficialmente anunciada”. O primeiro-ministro Mark Carney falou em tom semelhante, mais cauteloso do que triunfante: disse que estavam sendo feitos progressos em direção aos “melhores termos em cada um dos setores estratégicos mais importantes do Canadá”, sem confirmar números específicos. Como gesto de boa vontade enquanto as negociações são finalizadas, Carney pediu aos governadores provinciais, em 19 de agosto, que voltassem a vender bebidas alcoólicas americanas, que várias províncias haviam retirado em represália; o próprio governador da Nova Escócia, Tim Houston, admitiu que a medida havia se tornado “um incômodo para nossos vizinhos ao sul da fronteira”.
Qual o impacto disso no dia a dia de um latino no Canadá?
Setenta e dois por cento das exportações do Canadá são destinadas aos Estados Unidos, portanto, o resultado dessas negociações não é uma questão abstrata de política comercial: impacta diretamente fábricas, fazendas e armazéns onde milhares de latinos trabalham, e o preço de tudo o que é produzido com aço, alumínio ou autopeças. Se o acordo fracassar neste sábado, a ameaça de uma tarifa de 50% retorna. Se for assinado com esses termos, haverá algum alívio para esses setores, embora nenhum dos governos tenha confirmado isso oficialmente ainda.
Entretanto, o único dado oficial por enquanto é o prazo final: este sábado, 22 de agosto, e a partir daí dependerá se essa história terminará em alívio para esses setores ou em mais uma rodada de tensão comercial entre os dois países.
Equipe Editorial Mauricio Navas Talero Repórter LJI

