O chefe de comércio dos EUA afirma que o Canadá interrompeu as negociações tarifárias “por razões políticas”.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, acusou o Canadá em 27 de agosto de se retirar das negociações comerciais por razões políticas, e não devido a divergências substanciais. Essa troca de acusações ocorre em um momento em que as tarifas de 50% sobre carros, aço e outros produtos canadenses, em vigor há vários dias, continuam a impactar diretamente os empregos na indústria manufatureira de Ontário.
O que exatamente Lutnick disse?
Em tom desafiador, Lutnick respondeu: “Que me importa como os quebequenses falam?”, quando questionado sobre as preocupações do Canadá em relação à língua francesa, insinuando que tais queixas não eram, para Washington, um motivo válido para interromper as negociações. Segundo ele, o governo de Mark Carney usou a língua e outras questões culturais como pretexto para se retirar das negociações por razões que ele descreveu como políticas.
A que “motivos políticos” ele se refere?
Lutnick apontou a política provincial como a verdadeira razão por trás da decisão de Carney: ele mencionou tanto o movimento soberanista de Quebec, que terá eleições em 5 de outubro, quanto o referendo sobre a independência de Alberta, marcado para 19 de outubro, e sugeriu que o primeiro-ministro preferiu manter-se firme contra os Estados Unidos em vez de fechar um acordo que pudesse lhe custar apoio político nessas províncias.
Como o Canadá reagiu?
O Ministro Dominic LeBlanc, responsável pelo comércio entre o Canadá e os Estados Unidos, afirmou que o Canadá acolhe com satisfação quaisquer mudanças na posição dos EUA em relação à rotulagem e a questões culturais, e que o país continua a buscar um acordo que respeite a sua soberania.
O que ainda falta fazer?
Enquanto a troca de acusações continua sem uma data definida para a retomada das negociações, as tarifas de 50% sobre carros e aço canadenses permanecem em vigor, e com elas o risco para milhares de empregos na indústria manufatureira em Ontário, onde vive grande parte da comunidade latina do país.
Escrito por Maurício Navas Talero Repórter da LJI

